quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Liberte Minha Liberdade!



 Desde quando o homem é dono do meu pensamento? 
Até quando o meu silêncio o fará parar de me perseguir? 
Seu dinheiro sujo não me compra! 
Não preciso de seus pés para poder andar. 
Não preciso de sua inteligência para indicar onde eu deva ir. 
Apenas liberte minha liberdade! 
O seu poder ditatorial não tem poder sobre mim. 
Não serão suas leis ineficazes que me farão ser o que o mundo espera de mim. 
Liberte minha liberdade! 
Seu governo inverte valores, 
Tira de todos para dar aos Robin Hoods. 
Enquanto houver corrupção, manipulação, opressão e negligência, 
Manterá presa a minha liberdade! 
Liberte minha liberdade! 
Até quando me perseguirá? 
Até quando usará de hipocondria? 
Seus grilhões não têm poder 
Sobre o meu pensamento! 
Liberte minha liberdade!



A Lágrima Pede Perdão



De olhar tão triste e voz fraquinha 
Chinelo nos pés sujos de poeira 
Já andou quase uma vida inteira 
E não carrega nada nas mãozinhas. 
O cabelo não se mexe ao toque dos ventos, 
Roupinha rasgada pelo tempo, 
Não há um ser humano que lhe estenda a mão, 
O choro parece não acreditar 
Que daquele tão triste e humilde olhar 
A lágrima chega a pedir perdão 
Por molhar um rostinho carente de tudo 
Chega a ser um grande absurdo 
A dor que encrava em cada olhar 
E se esconde atrás das paredes de cada coração.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Por que Nasci?



Quando eu olho pra você
O meu olhar simplesmente pede
Algo pra comer.
Estende a tua mão,
Ergue-me desse chão,
Sozinho eu não consigo...
Estende a tua mão,
Leve-me em teus braços,
Tire-me daqui!

Quando eu olho pra você
O meu coração bate mais forte
E a minha fraqueza se manifesta dentro de mim.
Estende a tua mão,
Sente o meu penar,
Não me deixe aqui!
Eu não quero morrer
Antes de dizer: 
Se sou o incômodo na vida
Por que nasci?
Por que nasci?





Pugilato da Razão




Surge um facho de luzes, que fazem dos súbitos instantes
Coroa de plumas brilhantes dos páramos azuis.
Ao longe um fraco grito cruza os horizontes
Das páginas do infante livro das luzes.
Nas voltas do século brotam sementes do saber!
E entre as palmas do mundo vão as sementes brotando
E as raízes incólumes vão ficando no solo da amplidão.

E do estrato surgem braços ainda molhados de suor,
Nas mãos um alfarrábio dourado,
Entre os dedos o aljôfar do passado
Com alcunha de esperança do existir.
Mas se o tufão ameaça destruir o Livro Sagrado
Do esforço grande dos guerreiros verdes,
Surge ao longe sob as imensas plagas
Um forte grito, maior que o infinito,
Mais bravo que Davi.
Meu Deus, que grito é esse?
Que afugenta a tempestade e arrasta o tufão?
Ah! É um grito lançado das páginas brilhantes
Vindo do peito desses bravos estudantes
Do coração do amado Brasil!
E em festa o firmamento aplaude o solo brasileiro,
Que brotou de sementes tão santas
Altaneiras plantas de coração estudantil!


Francisco Alves Bezerra, Revista Café com Letras, edição nro.11; pag. 47

Reestruturação Produtiva de Retrocesso



Sob o ponto de vista panorâmico da região do Grande ABC, a redução dos níveis de produtividade do capital, o esgotamento do padrão de acumulação do sistema fordista, bem como grandes processos de privatizações fizeram com que a recomposição da indústria se expandisse diante à instabilidade desenfreada dos anos 90, da batalha pela final da extensa transição política, da presença em massa sindical nos locais de trabalho com as comissões de fábrica e da origem de modernas lideranças operárias e empresariais. Nas mesas de definição da política setorial, tradicionalmente compostas por representantes do governo e das empresas, encontravam-se representantes dos trabalhadores, o que marcou um novo momento na história das relações industriais no país, a negociação interna dos trabalhadores por direitos que o processo da reestruturação produtiva não legitimou.
O desemprego desencadeado e o ideal de que a máquina substituindo o homem o tornaria mais livre para se qualificar promoveram à intelectualidade do trabalho a força de garantir um governo democrático através de movimentos sindicais cada vez mais ligados aos interesses políticos.
O elo entre o trabalhador e empresa não é maior que o elo entre empresa e governo. Sempre a parte mais fraca paga pela ambição devastadora de se obter vantagens em tudo. A reestruturação produtiva modificou a mente do trabalhador, seu ambiente de trabalho, sua convivência familiar. O homem tornou-se máquina portanto não sensibilizou mais seus patrões que só enxergavam lucros.
Os fatores determinantes que contribuíram para reestruturação produtiva foram a instabilidade econômica devido a extensa transição política, o direcionamento do governo federal de investimentos às regiões metropolitanas e a concorrência no mercado interno.
Consequentemente o desemprego assolou o mundo do trabalho, a presença em massa sindical com as comissões de fábrica e a origem de lideranças operárias marcaram a luta em defesa do emprego.
Assim o capitalismo no Brasil teve um quadro recessivamente desenvolvido em que se referiu à produção de bens manufaturados e primários, dando à base política e econômica a identificação com o neoliberalismo, ou seja, uma nova forma de capitalismo dissimulado.
Deu-se então, a reestruturação produtiva que visava somente o lucro e a reestruturação da classe operária idealizada por líderes políticos que visavam o poder.
A República se transformou em um partido político idealizado por líderes sindicais.
Entre os sindicatos e o sistema político houve uma extensa margem para o investimento em corrupção. A Justiça se curvou. O braço do governo se extendeu ainda mais ao indicar seus julgadores. O Brasil se tornou uma nação cobaia em estado terminal nas dependências da ideologia democràtica. A região do Grande ABC foi uma das protagonistas do surgimento desse "regime" demasiadamente capenga que infectou atribuições a todas as ramificações do Estado. Houve uma nova reestruturação produtiva nos moldes feudais e que possuem características assemelhadas com a queda do Império Romano do Ocidente( século IV), onde as invasões bárbaras ameaçavam a troca de favores entre o Rei e os seus senhores. A nação brasileira retrocede em estado terminal.




sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Poesia Econômica: Laissez-Faire




Deixe-o ser!
O Capitalismo espera nos degraus da
escada
O globalismo democrático para erguerem
a bandeira
Do livre comércio.
Quem sabe juntos possam se tornar
gigantes liberais...
Em plena fantasia laissez-faire...
E a fé...
Monumentos sendo construídos,
O suor do povo em servidão sendo
empregado
Muitos sonhos sendo destruídos,
E o Capitalismo cada vez mais laissez-faire...
O desaparecimento das raças australóide
e capóide
Não têm nada a ver com a exterminação,
O Capitalismo e a Democracia
encontraram a solução:
Escravizar a humanidade em nome da
Globalização...
Laisse-faire.



Texto Extraído do Livro Liberte Minha Liberdade de
Autoria de Alves Bezerra.

terça-feira, 25 de março de 2014

Serafim sem Asas





Ouve-se a lamúria da mísera criança
Cortar os ares deste silêncio mudo,
Ressoar embalde por imensos infinitos,
Cruzar o mar feito bravo tufão,
Vibrar altivo por este mundo surdo,
A morrer errante no espaço sombrio,
Qual estrela sem vida nem brilho,
A esperar pela cor do remoto futuro.

Meu Deus! Como pode uma criança
Bradar tão forte e altívago nessa terra?
Se os homens só cogitam a guerra
E se esquecem de viver a esperança?

Em seu pensamento - a fé, no peito -
A dor, nas mãozinhas - a nova era.
E a mísera brada ao Senhor:
- Meu Deus! Eu sou escrava da miséria!

(...)


Trecho do poema Serafim sem Asas,
Extraído do livro O Silêncio das Revoluções
de autoria do escritor Alves Bezerra.